Por Thiago Sobrinho — Psicólogo | CRP 06/182459
Procurar um psicólogo pode ser uma tarefa mais complexa do que imaginamos. Em alguns casos, essa busca acontece em um momento de grande vulnerabilidade emocional. Em outros, parte de um incômodo que se repete ou de uma sensação de que as coisas não vão bem, mesmo quando ainda é difícil explicar o que está acontecendo.
Independentemente da razão da busca, encontrar um profissional envolve conhecer sua qualificação, sua maneira de trabalhar e perceber se há condições para construir uma relação de confiança. É com esse intuito que pretendo esclarecer algumas questões que podem ajudar você a orientar sua escolha.
Para escolher um psicólogo, vale verificar seu registro profissional, conhecer sua formação e maneira de trabalhar, esclarecer as condições do atendimento e observar como você se sente na relação que começa a ser construída.
Esses critérios ajudam a fazer uma escolha mais informada. Ainda assim, conhecer um profissional envolve um encontro. Algumas coisas podem ser pesquisadas; outras vão se revelando na conversa.
Como saber se um psicólogo é bom?
Essa pergunta é compreensível. Ao procurar ajuda, você está considerando compartilhar aspectos da sua vida que talvez sejam difíceis de dizer até para pessoas próximas.
Há critérios profissionais indispensáveis, como qualificação e responsabilidade ética. Também importa perceber se existe espaço para você participar do processo, fazer perguntas e falar sobre o que precisa. O psicólogo deve respeitar sua autonomia e favorecer sua participação nas escolhas que dizem respeito à sua vida.
Na minha maneira de compreender a clínica, a escuta exige disposição para conhecer alguém cuja história ainda não se revelou. Mesmo quando uma situação parece familiar, o sentido que ela tem para aquela pessoa precisa ser investigado. Caso contrário, corremos o risco de encaixar sua experiência em uma explicação antes de compreendê-la.
Todo psicólogo traz referências teóricas, uma formação e uma maneira de compreender o sofrimento humano. Essas referências orientam o trabalho e oferecem recursos importantes para a prática. Quando utilizadas de maneira rígida, porém, podem limitar a escuta e deixar de fora aspectos importantes da experiência de quem está sendo atendido.
Por isso, considero importante que o profissional mantenha abertura para o que ainda não compreendeu e possa rever suas interpretações. Uma explicação pode parecer coerente e, ainda assim, não corresponder ao que aquela pessoa vive.
Dito isso, vale observar como o psicólogo se posiciona durante as sessões:
- Ele procura compreender o que estou dizendo antes de chegar a uma conclusão?
- Explica sua proposta de trabalho de forma acessível?
- Apresenta suas interpretações de uma forma que posso questionar?
- Quando digo que algo não faz sentido para mim, ele considera o que estou trazendo?
- Consigo conversar sobre o ritmo e os caminhos do atendimento?
A maneira de conduzir as sessões pode variar entre profissionais. Vale observar se existe espaço para minha participação e se minhas dúvidas são recebidas com respeito.
O que verificar sobre formação e registro profissional?
No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia orienta que, para exercer a profissão, é necessário ter formação em Psicologia e inscrição ativa no Conselho Regional de Psicologia. Você pode consultar o Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia e conferir a orientação do CFP sobre como verificar um profissional.
Além do registro, procure conhecer sua formação, o público que atende e sua experiência com questões semelhantes às que motivam sua busca. Você pode perguntar diretamente como ele trabalha com essas demandas.
O registro confirma uma condição básica para o exercício profissional. A escolha também envolve conhecer o trabalho que será oferecido e seus limites. O Código de Ética Profissional do Psicólogo estabelece que o profissional deve assumir atividades para as quais esteja capacitado e prestar esclarecimentos sobre o serviço.
Preciso escolher uma abordagem antes de começar?
Você não precisa dominar as diferentes abordagens da Psicologia para procurar atendimento. É possível começar perguntando ao profissional como ele compreende o processo terapêutico e como isso aparece nas sessões.
Conhecer a abordagem pode ajudar a entender a proposta. Mas vale ir além do nome e perguntar: como vamos trabalhar com o que estou vivendo? Qual será a sua participação? Como poderemos conversar sobre o andamento da terapia?
No meu trabalho, a orientação humanista e existencial, com influência da fenomenologia, sustenta o interesse pela experiência de cada pessoa: como ela vive uma situação, o que aquilo significa e como se relaciona com sua história e suas condições de vida.
Minha participação inclui perguntas, reflexões e possibilidades de compreensão. Procuro oferecê-las de modo que a pessoa possa examiná-las, discordar e reconhecer o que faz sentido para ela. Você pode conhecer melhor essa proposta na página Como trabalho.
A escolha de métodos também precisa considerar as necessidades apresentadas, o conhecimento científico disponível e a capacitação do profissional. A identificação com uma abordagem é parte dessa conversa.
Diferentes abordagens oferecem diferentes perspectivas sobre o ser humano e maneiras de conduzir o trabalho clínico. Conhecê-las pode ajudar você a compreender a proposta de atendimento, mas não é necessário chegar à primeira sessão com essa escolha definida.
Qual é a importância de me sentir ouvido e respeitado?
Sentir que sua experiência está sendo levada a sério merece atenção na escolha de um psicólogo. Isso envolve ter espaço para falar, perguntar e participar das decisões sobre o trabalho.
A aliança terapêutica envolve o vínculo entre a pessoa e o psicólogo, mas também a construção de um entendimento sobre os objetivos da terapia e sobre como trabalhar juntos.
Uma revisão de Flückiger e colaboradores, publicada em 2018, reuniu 295 estudos independentes, com mais de 30 mil pacientes, e encontrou uma associação consistente entre a qualidade da aliança terapêutica e os resultados da psicoterapia, em diferentes abordagens.
Essa associação não significa que o vínculo, sozinho, garanta melhora. Também não permite concluir que ele seja a única causa dos resultados. A pesquisa ajuda a reconhecer a importância da relação dentro de um trabalho que envolve outros fatores.
Na prática, considero valioso observar se há abertura para construir uma compreensão compartilhada do que está sendo vivido e do que se busca com a terapia.
Talvez você ainda não saiba explicar bem uma sensação. Talvez precise retomar o mesmo assunto algumas vezes. Importa poder falar dessa dificuldade e perceber como ela é recebida.
Preciso me sentir confortável desde a primeira sessão?
Pode haver nervosismo, vergonha ou dúvida ao conversar com alguém que você acabou de conhecer. A confiança pode se construir aos poucos. Você pode observar, ao longo dos encontros, se encontra mais espaço para falar, fazer perguntas e expressar suas dúvidas.
Eu evitaria usar apenas a pergunta “saí me sentindo bem?” para avaliar uma sessão. Conversar sobre algo doloroso pode mobilizar sentimentos difíceis. Vale observar também: consegui dizer o que precisava? Meu ritmo foi considerado? Posso falar sobre como me senti nesse encontro?
Ao mesmo tempo, sofrimento durante a terapia não deve ser tratado automaticamente como sinal de progresso. Humilhação, discriminação, imposição de crenças ou desrespeito aos seus limites merecem atenção. O Código de Ética proíbe práticas discriminatórias e a indução de convicções pessoais no exercício profissional.
Como conversar sobre dúvidas ou desconfortos com o atendimento?
Você pode começar com palavras simples: “acho que não consegui explicar o que quis dizer”, “essa interpretação não fez sentido para mim” ou “tenho dúvidas sobre como estamos trabalhando”.
Na minha compreensão, essas falas fazem parte do encontro terapêutico. Elas permitem conhecer algo que talvez tenha passado despercebido e pensar se é necessário ajustar a maneira de trabalhar.
Você também pode perguntar como o profissional percebe o andamento da terapia e compartilhar o que tem ajudado, o que permanece difícil e o que espera do processo.
Se houver condições para essa conversa, ela pode ajudar a esclarecer a experiência. Você pode também buscar outro profissional. Não precisa permanecer em um atendimento por receio de desagradar quem o acompanha.
O que combinar antes de iniciar a terapia?
Algumas perguntas práticas ajudam a compreender o compromisso que está sendo proposto:
- Qual é o valor da sessão e como funciona o pagamento?
- Qual é a duração dos encontros e como será definida a frequência?
- Como funcionam faltas, cancelamentos e remarcações?
- Como são tratados o sigilo e seus limites?
- Como podemos conversar sobre continuidade, mudanças ou encerramento?
Essas condições precisam caber na sua vida. Horários, orçamento, trabalho e responsabilidades familiares participam da possibilidade de manter o atendimento. Ter dificuldade para conciliar tudo isso não significa falta de interesse em cuidar de si.
Como escolher um psicólogo presencial no Brooklin?
Se você procura um psicólogo no Brooklin, em São Paulo, considere os mesmos critérios profissionais e relacionais, junto com as condições de acesso ao consultório.
Vale pensar no trajeto a partir de casa ou do trabalho, nos horários disponíveis, na acessibilidade de que você precisa e na privacidade do espaço. A proximidade pode facilitar a rotina, mas é importante conhecer também a proposta de atendimento.
Atendo presencialmente no Brooklin e online. Na página inicial do meu site, você encontra uma apresentação do trabalho e os caminhos para entrar em contato.
É preciso ter certeza para dar o primeiro passo?
Talvez você consiga reconhecer alguns critérios importantes e ainda permaneça com dúvidas. Um primeiro contato pode servir justamente para conhecer a proposta, fazer perguntas e perceber se deseja continuar.
Acredito que escolher um psicólogo envolve procurar condições para falar de si com cuidado e participar do próprio percurso. Isso inclui poder dizer o que você espera, o que teme e também o que ainda não sabe.
A psicoterapia pode começar desse lugar: com algo que pede atenção e com a possibilidade de olhar para isso acompanhado.
Referências
- Conselho Federal de Psicologia. Como saber se uma pessoa é psicóloga(o)?
- Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo — Resolução CFP nº 010/2005.
- Flückiger, C.; Del Re, A. C.; Wampold, B. E.; Horvath, A. O. (2018). The alliance in adult psychotherapy: A meta-analytic synthesis. Psychotherapy, 55(4), 316–340. https://doi.org/10.1037/pst0000172
